QUATRO HISTÓRIAS SOBRE MANEIRAS DE AGIR

agirUsar os dois bolsos

Um discípulo comentou com o rabino Bounam de Pssiskhe:

– O mundo material parece sufocar o mundo espiritual.

– Sua calça tem dois bolsos – disse Bouhnam. – Escreva no direito: o mundo foi criado apenas para mim.  No bolso esquerdo, escreva: eu não sou nada além de pó e cinzas.

“Divide bem teu dinheiro nestes dois lugares. Quando vires a miséria e a injustiça, lembra que o mundo existe apenas para que possas manifestar tua bondade, e usa o dinheiro do bolso direito. Quando estiveres tentado a adquirir coisas que não te fazem a menor falta, lembra do que está escrito no teu bolso esquerdo, e pensa várias vezes antes de gasta-lo. Desta maneira, o mundo material nunca sufocará o mundo espiritual”.

Quando dar e quando receber

Nasrudin passeava pelo mercado, quando um homem se aproximou.

– Sei que és um grande mestre sufi – disse. – Hoje de manhã, meu filho me pediu dinheiro para comprar uma vaca; devo ajudá-lo?

– Esta não é uma situação de emergência. Então, aguarde mais uma semana antes de atender o seu filho.

– Mas tenho condições de ajudá-lo agora; que diferença fará esperar uma semana?

– Uma diferença muito grande – respondeu Nasrudin. – A minha experiência mostra que as pessoas só dão valor a algo, quando tem a oportunidade de duvidar se irão ou não conseguir o que desejam.

 De quem é a culpa

Um casal saiu de férias – e, ao voltar, encontraram a casa arrombada; os ladrões tinham levado tudo.

O marido acusou a mulher, dizendo que as trancas não tinham sido colocadas. Ela afirmou que ele esquecera de fechar a porta com a chave. Uma longa discussão começou, até que os vizinhos chamaram um padre para serenar os ânimos.

– A culpa é dela, que sempre foi desleixada – disse o marido.

– Não, a culpa é dele, que não presta atenção no que faz – respondeu a mulher.

– Um momento – disse o padre. – Vivemos culpando uns aos outros por coisas que jamais fizemos, e terminamos carregando um fardo que não é nosso. Será que nunca lhes ocorreu a idéia que os ladrões são os verdadeiros culpados pelo roubo?

Tornando o campo fértil

O mestre zen encarregou o discípulo de cuidar do campo de arroz.

No primeiro ano, o discípulo vigiava para que nunca faltasse a água necessária. O arroz cresceu forte, e a colheita foi boa.

No segundo ano, ele teve a idéia de acrescentar um pouco de fertilizante. O arroz cresceu rápido, e a colheita foi maior.

No terceiro ano, ele colocou mais fertilizante. A colheita foi maior ainda, mas o arroz nasceu pequeno e sem brilho.

– Se continuar aumentando a quantidade de adubo, não terá nada de valor no ano que vem – disse o mestre. – Você fortalece alguém, quando ajuda um pouco. Mas você enfraquece alguém, se ajuda muito.

Autor: Paulo Coelho

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